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Título
Organização

Autores

Projeto Fénix – As artes do voo e as ciências da navegação
José Matias Alves
Luísa Tavares Moreira 
Ana Nunes, Ana Maria Bettencourt, Carlos Gomes de Sá, David
Justino, Fernando Elias, Heitor Surrada, Ilídia Vieira, Joaquim
Azevedo, José Matias Alves, Júlia Gradeço, Júlio Castro, Luís
Novais, Luísa Rodrigues, Luísa Tavares Moreira, Margarida
Almeida, Natércio Afonso, Pedro Cunha, Tiago Lourenço
Revisão editorial
Fundação Manuel Leão
Edição Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica
Portuguesa, Porto, 2012
Execução gráfica
LabGraf
Depósito Legal
344853/12
ISBN
978-989-96186-3-3

Todos os direitos reservados
Email: jalves@porto.ucp.pt

ÍNDICE APRESENTAÇÃO Joaquim Azevedo PARTE I FUNDAMENTOS E PRÁTICAS O TERCEIRO ANO DO PROJETO FÉNIX. À DESCOBERTA DOS SENTIDOS E DAS PRÁTICAS PROMOCIONAIS DE SUCESSO Ana Nunes e José Matias Alves POLÍTICAS PROMOTORAS DO SUCESSO ESCOLAR Natércio Afonso O PROJETO FÉNIX. XXI? Ilídia Vieira e José Matias Alves O PROJETO FÉNIX NA AVALIAÇÃO EXTERNA DO PMSE José Matias Alves 7 9 11 59 67 75 83 121 149 157 171 . A EVOLUÇÃO DO MODELO FÉNIX E A EXPANSÃO DA REDE Luísa Tavares Moreira INSUCESSO ESCOLAR: REMEDIAR OU PREVENIR? David Justino PROJETO FÉNIX: UMA METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO PARA MELHORAR A APRENDIZAGEM Ana Maria Bettencourt PROJETO FÉNIX: MUDAR A ESCOLA POR DENTRO Pedro Cunha O PROJETO FÉNIX E A PROGRESSIVA TRANSFORMAÇÃO DA GRAMÁTICA ESCOLAR José Matias Alves PROJETO FÉNIX. POLÍTICAS EDUCATIVAS E EQUIDADE: QUE ESCOLA PARA O SÉC.

PARTE II MODOS DE VER O PROJETO FÉNIX EM AÇÃO 188 A LINHA QUE NOS UNE Júlio Castro 191 OLHAR E VER AS COISAS COM OS OLHOS DE (SABER) VER Fernando Elias 193 APRENDER UNS COM OS OUTROS Heitor Surrada 197 A IMPORTÂNCIA DAS REDES Júlia Gradeço 199 A IMPORTÂNCIA DA CONSTITUIÇÃO DE GRUPOS DE PROFICIÊNCIA Luís Novais 201 PRÁTICAS DE ARTICULAÇÃO Tiago Lourenço 205 À PROCURA DE NOVAS ESTRATÉGIAS ORGANIZACIONAIS Luísa Rodrigues 209 DA ESTUFA AO NINHO Carlos Gomes de Sá 213 PROJETO FÉNIX: UMA RESPOSTA À DIVERSIDADE Margarida Almeida 217 PARTE III PORTEFÓLIO DE REALIZAÇÕES 219 .

O texto apresentado decorre de uma dissertação de mestrado apresentada à Universidade Católica Portuguesa no ano de 2011. Os dados recolhidos parecem confirmar que. análise documental e entrevistas. mas antes de forma gradual e apoiada. do “efeito de escola” (schools can make the difference) e das pessoas que lá moram. 3 Universidade Católica Portuguesa.PROJETO FÉNIX. 1 . O interesse do estudo foi compreender como reagiu o agrupamento escolhido como contexto de investigação à mudança. o sucesso escolar de uma organização depende. Faculdade de Educação e Psicologia. num agrupamento de escolas. assentes em tomada de decisões participadas e adequadas às especificidades dos contextos e dos alunos (autonomia desejada). No estudo utilizaram-se diferentes técnicas de recolha de informação: inquérito por questionário. Privilegiou-se. pelos seus princípios e medidas. apesar da matriz formativa e formadora do Projeto Fénix. traz implicações na organização pedagógica das escolas e que os processos que lhe estão subjacentes não se desenvolvem por decreto (autonomia decretada). tendo sido orientada pelo Professor Doutor José Matias Alves. desenvolvido ao nível meso. entendendo que o Projeto Fénix. À DESCOBERTA DOS SENTIDOS E DAS PRÁTICAS PROMOCIONAIS DE SUCESSO 1 ANA NUNES JOSÉ MATIAS ALVES 3 2 Sumário Com este texto pretendemos dar a conhecer alguns dos resultados de uma investigação que teve como objetivo principal analisar e perceber a apropriação de um projeto no âmbito do Programa Mais Sucesso Escolar. 2 Agrupamento de Escolas de Azambuja. os discursos e as práticas dos atores educativos em torno das dinâmicas implícitas ao Projeto Fénix. de entre vários fatores. a partir de um estudo de caso.

esquivando-se de um olhar mais atento sobre a complexidade da problemática do (in)sucesso. em Portugal. algumas escolas alteraram as condições organizacionais e educativas. Na década de 80 do século passado. com a intenção de responder aos desafios da escolaridade obrigatória. O nosso estudo realizou-se num Agrupamento de Escolas que aderiu àquele projeto. consubstanciado na incorporação de práticas inovadoras no trabalho quotidiano da escola e dos professores. A focalização excessiva nos alunos tem constituído uma das maiores falácias que nos embala e adormece (Azevedo.122 Projeto Fénix – As artes do voo e as ciências da navegação Introdução Ao longo sobretudo das duas últimas décadas. propondo a generalização e a difusão das boas práticas junto de várias escolas a nível nacional. 8-29). . Formosinho defendia que o (in) sucesso e o abandono escolares são apenas as faces mais percetíveis de um insucesso educativo institucional mais amplo. foram uma inspiração para uma decisão de topo. os exemplos de boas práticas produzidas na base. invertendo o invariável conjunto de decisões top-down. Fatores de inovação e melhoria: breve enunciação Numa sociedade que se rege por princípios democráticos e de procura da concretização da justiça social as questões de sucesso escolar têm. Recentemente. de forma a promover o sucesso educativo. De entre elas. com o apoio da Universidade Católica Portuguesa) que. visando conhecer a apropriação do mesmo através da alteração das condições organizacionais e educacionais que lhe estão inerentes. ousando tocar o coração da escola. destaca-se o inovador Projeto Fénix (concebido no Agrupamento de Escolas Campo Aberto – Beiriz. criou um conjunto de estratégias geradoras de mais oportunidades de aprendizagem. pp. 2010. a investigação realizada tem vindo a produzir evidências empíricas de que o sucesso escolar depende de uma teia complexa de fatores. no sentido de proporcionar maior sucesso para todos. As experiências de trabalho da escola e dos professores. a partir das vontades partilhadas de várias lideranças e professores.

tornando-se insensível à(s) realidade(s). “(…) o Projeto Fénix baseia-se num modelo de organização em que ficou claro.54) menciona: “Flexibilizar o currículo pode entender-se no sentido de organizar as aprendizagens de forma aberta. À descoberta dos sentidos e das práticas promocionais de sucesso necessariamente. enunciou como um dos princípios orientadores deste sistema a igualdade de oportunidades de acesso e de sucesso escolares.Projeto Fénix. de turma) coexistam duas dimensões como faces de uma mesma moeda: a clareza e delimitação das aprendizagens pretendidas e a possibilidade de organizar de forma flexível a estrutura. mantendo imutáveis as estruturas do seu funcionamento.69). possibilitando que. Como temos vindo a perceber. p. a sequência e os processos que a elas conduzem. como organização. p. num dado contexto (nacional. A realidade emergente daquele conceito veio questionar a escola e a sua forma de organizar e de transmitir cultura/conhecimento às gerações vindouras. Roldão (1999. desde o início. de ser alvo privilegiado das políticas educacionais e das medidas que as concretizam. e tal como Roldão (1999. A corroborar esta ideia. que as soluções se devem adaptar aos problemas e às pessoas. Não é por acaso que a Lei de Bases do Sistema Educativo Português. destacando-se o conceito de formação ao longo da vida que se constitui num paradigma para a educação e o desenvolvimento das pessoas e da sociedade. p. tem mantido uma lógica defensiva. em que se tornou recorrente uma sociedade do conhecimento e da globalização. desenvolvido entre 1997-2001. regional. publicada em 1986. uma das realidades da escola prende-se com o insucesso (o seu próprio insucesso. de escola.” Currículo e flexibilização são indissociáveis. surgiu num contexto histórico de mudanças sociais e culturais. qual árvore de folha perene. Em Portugal.28) considera que: “Os alunos que hoje estão na escola e não aprendem são vistos como um problema incomodativo para a escola. Como refere Moreira (2009. o projeto de inovação denominado de Gestão Flexível do Currículo. O princípio da flexibilidade esteve presente na conceção do projeto que pretendemos conhecer melhor. do qual ela procura descartar-se através 123 .” A escola. bem como o dos alunos).

28): “Se um grupo de professores pensar em criar uma escola tal como julga que seria melhor. as aulas de apoio. “uma gestão flexível dos recursos humanos e físicos.124 Projeto Fénix – As artes do voo e as ciências da navegação de estratégias de recurso. p. p.” As lógicas de funcionamento das escolas deverão passar pela constatação de que se confrontam com um grande problema (no caso. mas resultando em remediações em larga medida falhadas (as NEE. ou reconceptualizar os moldes e estruturas de agrupamento que se cruzem com a sacrossanta e imutável turma? • Terá toda a aprendizagem que decorrer dentro dessa estrutura? Ou poderão existir outras estruturas mais móveis que se organizem para criar bolsas e momentos de aprendizagens que não requerem o agrupamento da turma?” Precisamente neste contexto. Parece-nos que a flexibilização decorrente dos princípios organizadores do referido projeto vai ao encontro do desafio de Roldão (1999.” Também a diferenciação deve assumir efetiva centralidade. Moreira (2009. p. apresentando algumas passíveis de análise: • “ Como organizar-se de outro modo que permita fazer estes alunos todos aprenderem? • Porque não há de a escola mudar os espaços e os tempos. deverá agir no sentido de perspetivar a sua resolução. etc. 69) apresenta como condição essencial ao sucesso do Projeto Fénix. À semelhança de uma empresa perante os seus insucessos. e que. talvez descubra processos organizativos expeditos e eficientes que não são catastróficos. e contudo talvez rompam com a estrutura escolar a que nos habituámos. fundadas em excelentes princípios. os agrupamentos e a rotação de professores. gestão flexível dos grupos-turma. gestão flexível do tempo (essencial num projeto que aposta em ritmos de aprendizagem diferenciados).28) sugere que a escola coloque questões contextualizadas. o insucesso). como qualquer outra organização. conduzindo a uma reconceptualização da aprendizagem escolar (do ofício de . Roldão (1999.). podem ser económicos e vantajosos. gestão flexível do currículo…”. ou organizar de outro modo o seu trabalho em função de grupos específicos de alunos? • Porque não reinventar um sistema do tipo das tutorias.

mas como uma atenção contínua. tornando-se um referente para a organização escola e “não como desvio a uma norma tornada insignificativa na escola de hoje”(Roldão. consubstanciada num ambiente de conhecimento e de metaconhecimento (preferencialmente) profissional dos professores.º anos de escolaridade. no 5. p. Estes. a diferenciação pedagógica deve ser olhada como estratégia de otimização das aprendizagens.º.º ou 10. pelo que se deve abandonar a lógica prevalecente de a pensar e realizar como estratégia de remediação: “Precisamos de cuidar dos percursos escolares de cada um dos alunos como o cuidado máximo que uma escola tem de desenvolver e aplicar. mas sim adotar posturas de empenho e de participação ativa na capacitação progressiva dos alunos. Todavia. E não um cuidado que se tem de ter em certos momentos. no 8. para que este reconhecimento seja proveitoso. “(…) ou temos escolas exigentes. decerto.19). focadas rigorosamente no essencial. não se devem limitar a obedecer e a consumir sem qualquer reflexão crítica. sistemática.22-23) considera que a diferenciação pedagógica deve ser pensada e realizada como uma estratégia de prevenção. p. há que. no 1. ou como resposta pontual a Programas Nacionais para a Matemática ou para o Inglês. como refere Roldão (2005. no sentido de que estes profissionais do ensino tenham em conta a diversidade dos alunos na gestão das suas estratégias. À descoberta dos sentidos e das práticas promocionais de sucesso ensinar e aprender). fiel à herança de um passado que já não existe. ciclos longos de trabalho e de avaliação de resultados.18): “(…) abandonar a ilusão de que se pode diferenciar práticas docentes ou gerir diferenciadamente um currículo nacional comum no quadro de uma escola que se continue a pensar como organização uniformista obsoleta. ou elas 125 . tranquilidade para trabalhar. que requer tempo e persistência. pp. porque estaleiros de humanidade. 2005.º.” Azevedo (2010.” Para aquele autor. que vai acumulando experiência e conhecimento. verdadeiros locais de trabalho. implicará. inevitáveis alterações nas práticas dos professores. por exemplo.Projeto Fénix. Este reconhecimento. de que é imperativo organizar estratégias de diferenciação autêntica.

tornar-se-á menos necessário recorrer num futuro próximo a medidas de compensação/ /recuperação de discutível eficiência pedagógica. Sobremaneira. Escola e docentes confrontaram-se com o desafio de ensinar um universo muito heterogéneo. e particularmente quando ocorre muito cedo no percurso escolar dos alunos. para além da experiência do insucesso e da sanção oficial da sua incapacidade para aprender aquilo que os outros colegas conseguiram. como a retenção. respostas eficazes ao insucesso exigem a mobilização das escolas e dos professores no desenho de estratégias pedagógicas adequadas aos contextos de aprendizagem e às dificuldades pelos alunos. Quanto mais precoce for o diagnóstico e mais eficaz a resolução das dificuldades encontradas. Quando a crescente democratização do sistema incorporou nos níveis mais avançados uma maioria de estudantes. A Escola que retém um aluno. que antes não chegavam a “passar da porta”. várias reflexões produzidas por organismos internacionais (OCDE). uma ou repetidas vezes.” (idem. sempre em mudança. pouco ou nada lhe tem para oferecer. p. ela é o início de um caminho marcado pelas dificuldades de aprendizagem e por retenções múltiplas que podem conduzir ao abandono escolar. Social e institucionalmente.126 Projeto Fénix – As artes do voo e as ciências da navegação continuarão a ser. fazem sobressair duas ideias nucleares: • Prevenção – as dificuldades apresentadas pelos alunos devem ser identificadas o mais cedo possível e intervencionadas imediatamente a um nível pedagógico. estabelecendo-se como a forma mais viável e sem par no sentido de assegurar a (des)igualdade na escolarização. . fábricas de reprodução das desigualdades sociais. Perante a problemática do insucesso. facilitismo ou por mero seguidismo face às normas da administração. incúria. Mais sucesso escolar – A prevenção do insucesso Num quadro de autonomia e sabendo que o insucesso escolar ainda penaliza muitos alunos a quem o sistema educativo deve proporcionar as oportunidades de uma aprendizagem de qualidade. por desnorte. a retenção era[é] um constructo sobre o (in)sucesso subjacente à heterogeneidade dos alunos.23).

À descoberta dos sentidos e das práticas promocionais de sucesso • Estratégicas pedagógicas alternativas – os debates sobre as estratégias mais eficazes para reduzir os níveis de insucesso e para a melhoria da qualidade das aprendizagens.Projeto Fénix. nas disciplinas). o princípio da homogeneidade relativa e o princípio da flexibilidade da organização escolar em termos de currículo e recursos. relativamente homogéneas quanto às dificuldades de aprendizagem destes (turmas Fénix). A autora Luísa Moreira (grande impulsionadora do Projeto Fénix) enunciou um conjunto de características operacionais distintivas ao nível da gestão pedagógica e da gestão de recursos. os grupos de apoio temporário. que reforçam a homogeneidade quanto à 127 . quando os alunos aduzem dificuldades na aprendizagem. Estes debates parecem ser alicerçados em falsos princípios. mas antes a diversificação de estratégias pedagógicas capazes de responder às dificuldades contextualizadas (no aluno. O Projeto Fénix Este projeto destaca-se como exemplo da diversidade possível das boas práticas ao nível das intervenções pedagógicas contra o insucesso e abandono escolares. não deve ser a passagem administrativa. Estas estratégias assentam numa lógica de trabalho individualizado e diversificado. Os princípios funcionais daquele projeto são: o princípio do sucesso plural. inevitavelmente intimam o estatuto construído da eficácia pedagógica da retenção. como se a única alternativa a um sistema que contempla o uso da retenção fosse um que estabelecesse a passagem administrativa dos alunos. porque a alternativa à retenção. sem retenções e com o menor número de níveis negativos possível. estas discussões são amiudadas vezes sustentadas de forma excessivamente dicotómica e redutora. implícitas a esta inovação pedagógica: o agrupamento de alunos em turmas de menor dimensão. Contudo. pedagógicos e tecnológicos. cujo principal objetivo é o de que todos os alunos que entrem no pré-escolar cumpram a escolaridade obrigatória. o que implica maior mobilização de recursos humanos. A sua operacionalização é alicerçada num design inovador. de maior exigência e de mais apoio orientado para os alunos com dificuldades.

p. Tal como declara Costa (1986. Estávamos conscientes de que esta forma de investigação é considerada indicada para investigadores isolados (Bell. uma vez que a utilização de três ou mais métodos diferentes para explorar um problema aumenta as possibilidades de exatidão. 1997. p.” A partir da mobilização deste conjunto de métodos e técnicas torna-se possível proceder à triangulação da informação. porém. Esta opinião é corroborada por J. Lima (1998. e sujeita obviamente a diferentes critérios. in contrast to other styles which require a researche-team”. ao nível da organização escola. . a gestão flexível do currículo e dos recursos humanos. p. nas mãos de terceiros detentores de ambas as informações”.22). Uma das características do estudo de caso reporta ao recurso a uma variedade de fontes de informação. em boa parte. ���� Também a propósito do estudo concreto e aprofundado das práticas no contexto do estudo de caso. o estudo de caso “não se pode socorrer duma única técnica. a mobilidade entre turmas (Fénix) e Ninhos. acionadas alternadamente e simultaneamente pelo investigador.128 Projeto Fénix – As artes do voo e as ciências da navegação especificidade das dificuldades ou ritmos de aprendizagem dos alunos (os Ninhos). Atribuímos importância à triangulação como forma de superar o possível enviesamento e controlar a validade das informações. dos quais a avaliação/comparação entre o caso estudado e outros casos fica.140). o que está em jogo não é a capacidade de generalização (e nunca de um ponto de vista estatístico-inferencial) mas sim a transferibilidade a partir do caso analisado. e o trabalho articulado e cooperativo gerado. Nisbett & J. Watt (1984) referindo-se ao estudo de caso. “It is a style of inquiry which is particularly suited to the individual researcher. 397) afirma: “Nestas circunstâncias. optámos por incluir no nosso trabalho um estudo de caso de tipo descritivo. que contemplasse o confronto entre os discursos dos atores educativos face à implementação de um projeto e as suas práticas. mas duma pluralidade delas. Metodologia Propósito de estudo e justificação das opções metodológicas Sendo nosso propósito desenvolver um estudo.

O inquérito que aplicámos foi dirigido aos docentes (de primeiro e terceiro ciclos) envolvidos no Projeto Fénix. em dois casos tal não foi possível devido a razões 129 . escolher e ordenar a totalidade das respostas que considerassem mais adequadas de acordo com o critério apresentado. ao mesmo tempo que medimos o tempo necessário ao seu preenchimento. solicitámos a uma docente que exerce a sua atividade profissional no agrupamento. os inquiridos foram convidados a indicar a resposta mais adequada. Primeiramente. apresentando a lista das respostas previstas de entre as quais. fizemos notar a nossa presença. selecionar um número determinado de respostas consideradas mais adequadas. in Santos. À descoberta dos sentidos e das práticas promocionais de sucesso Técnicas de recolha de dados Os dados recolhidos foram. durante o prazo que concedemos para o seu preenchimento e devolução. através de entrevistas e de inquéritos por questionário. Para operacionalização da receção dos questionários preenchidos solicitámos a sua entrega em sede de conselho de turma ou de conselho de docentes. dados invocados. que. aplicámos o questionário a dois docentes que fariam parte da amostra considerada para o nosso objeto de estudo. Num segundo momento. e dados suscitados por nós.Projeto Fénix. procurando responder simultaneamente a eventuais dúvidas. consoante os casos. preenchesse o questionário e nos fosse relatando as suas impressões e sentido(s) que ia dando a cada uma das questões. 2007). e de termos desenvolvido esforços nesse sentido. na nossa presença. Deste processo resultou a exclusão de algumas questões que não foram consideradas pertinentes para o estudo em causa e a alteração na redação de outras consideradas menos claras. Apesar de pretendermos entregar o questionário a todos os professores do universo pretendido (31). resultantes da observação direta de documentos do acervo do Agrupamento. O inquérito por questionário Antes de aplicarmos o questionário à população definitiva procedemos a um pré-teste desenvolvido em dois momentos distintos. conforme a tipologia de Van der Maren (1995. Na sua construção privilegiámos o recurso a questões fechadas. cit. No sentido de aumentar a taxa de retorno dos questionários.

pautas de avaliação. com funções inerentes ao cargo no ano letivo 2009/2010. grupais e semiestruturadas. No nosso estudo. bem como nos foi facultada a consulta de outros documentos pertinentes para o nosso estudo (relatórios. nomeadamente porque alguns docentes se encontravam de atestado médico. reforçando as indicações que acompanhavam os questionários. A entrevista A entrevista. com funções inerentes ao cargo no ano letivo 2009/2010. mas pode também ser realizada em grupo. conselho de turma. A análise documental A análise dos documentos revestiu-se de uma importância fundamental para a compreensão do modelo geral de organização da escola e dos “perfis de mudança” definidos para a mesma. utilizámos entrevistas individuais. aquando da adesão ao Programa Mais Sucesso Escolar). O nosso universo de entrevistados é composto por elementos do órgão de gestão e administração: o presidente da comissão administrativa provisória do Agrupamento de Escolas (vulgarmente denominado como “mega agrupamento”) decorrente da reorganização da rede escolar e o coordenador de estabelecimento da escola com maior número de alunos e professores envolvidos no Projeto Fénix (ex-subdiretor da extinta unidade orgânica. ao mesmo tempo que fornecemos informações sobre o modo e prazos de devolução. Dos 29 inquéritos distribuídos foram-nos devolvidos 21. ex-elementos da direção executiva (diretora da extinta unidade orgânica. candidatura ao Projeto Fénix. correspondência expedida e recebida). Procedemos à leitura e análise de atas das várias estruturas educativas do Agrupamento de Escolas Abuja (conselho pedagógico. departamentos. é uma técnica mais frequentemente associada à investigação qualitativa e muito usada nas Ciências Sociais e Humanas. Para a sua aplicação procedemos à distribuição pessoal a cada um dos inquiridos. ou inquérito por entrevista. – face a face – que é o mais comum. conselho de diretores de turma) respeitantes aos anos letivos 2009/2010 e 2010/2011. aquando da adesão ao Programa Mais Sucesso Escolar).130 Projeto Fénix – As artes do voo e as ciências da navegação várias. conselho de docentes. Pode ser conduzida de forma individual. a coordenadora do Projeto Fénix no .

na praxis educativa. Como decorreu a participação e a implicação dos diferentes atores na organização e gestão curricular decorrente do desenvolvimento do Projeto Fénix? iv. As tomadas de decisão na escola são deliberadas no seio dos órgãos colegiais resultantes de vontades partilhadas para a resolução dos problemas. comprometendo-se a Escola a: melhorar em 1/3 o nível de sucesso escolar referenciado aos anos de escolaridade 131 . Como decorreu a participação e a implicação das lideranças (de topo e intermédias) no desenvolvimento do Projeto Fénix? iii. Quais as consequências da implementação do Projeto Fénix no sucesso escolar (no sucesso académico dos alunos. Qual o impacto do Projeto Fénix na formação e no desenvolvimento profissional? v.Projeto Fénix. que chegámos às seguintes questões de investigação: i. À descoberta dos sentidos e das práticas promocionais de sucesso Agrupamento e. ou decorrem de procedimentos concentrados no órgão de gestão? ii. coordenadora do conselho de docentes do primeiro ciclo. cumulativamente. no dia 14 de Agosto de 2009. Questões de investigação É neste enquadramento que. na escola como organização aprendente)? Resultados A candidatura do Agrupamento estudado ao Programa Mais Sucesso Escolar mereceu despacho favorável do Diretor de Serviços de Apoio Pedagógico e Organização Escolar (DRELVT). na supervisão pedagógica. a diretora de turma do oitavo ano de escolaridade diretamente envolvido no Projeto Fénix. alunos da turma de oitavo ano de escolaridade diretamente envolvidos no Projeto Fénix. O Programa Mais Sucesso Escolar no Agrupamento é contratualizado a 13 de Novembro de 2009. para analisarmos se a candidatura ������������������ e adesão a um projeto nacional altera as condições organizacionais e educacionais de um agrupamento de escolas no sentido de encontrar caminhos promotores de sucesso escolar.

º ano foi constituída pelos alunos que apresentavam como características do seu histórico escolar níveis inferiores a três a Língua Portuguesa e Matemática.º ciclo. dentro das turmas Fénix. Simultaneamente existiu para cada ano. integrar a rede de Escolas Mais Sucesso e disponibilizar-se para dinamizar e participar em encontros e sessões de trabalho para apresentação e divulgação de resultados e disseminação de boas práticas. ritmos diferenciados de aprendizagem.º ciclo consistia em só existirem duas turmas de sétimo ano de escolaridade. intituladas turmas Fénix. requerendo um acompanhamento mais individualizado. este modelo pressupõe uma grande rotatividade . grande desfasamento entre o que está a ser lecionado e as competências do ano de escolaridade.º ano e no 7. monitorização e avaliação do projeto. de um apoio reforçado na disciplina. apesar de revelarem igualmente dificuldades. estavam num nível superior aos do grupo anterior. existam turmas constituídas pelos alunos com mais dificuldades que frequentam esse ano. O ninho número dois formou-se com alunos que. O ninho número um era formado por alunos com mais dificuldades e maior distanciamento relativamente às aprendizagens que deveriam estar adquiridas e. hiatos nas aprendizagens de anos anteriores. no 2. garantir as condições organizacionais. a particularidade do 3. pelo que a turma Não Fénix ficou constituída pelos alunos com menos problemas ao longo do seu percurso escolar. Conceptualmente. para que em cada ano de escolaridade contratualizado. dois pequenos grupos de apoio – Ninhos – que foram integrando alunos que. revelaram dificuldades de acompanhamento. como tal. ao acompanhamento. precisando igualmente de um acompanhamento mais individualizado. sendo distribuídos de forma homogénea. e assenta nos princípios funcionais anteriormente enunciados.132 Projeto Fénix – As artes do voo e as ciências da navegação envolvidos no projeto. isto é. no decurso do mês de Agosto de 2009�������� . pedagógicas e logísticas. para as disciplinas de Língua Portuguesa e de Matemática. mas inferior aos das Turmas Fénix. de forma a existir heterogeneidade dentro de alguma homogeneidade – homogeneidade relativa. A estrutura conceptual deste projeto no Agrupamento que estudámos é definida para o 1. A turma Fénix de 7.º ano. ou que apresentavam número de níveis inferiores a três no ano letivo anterior. A formação dessas turmas realizou-se com base em critérios decididos pela dire���������������������������������������������������������� ção executiva.º e 3.

Departamento/Grupo Disciplinar. entre outros. não nos competindo. p. como requisitos facilitadores da inovação. como por exemplo. relegando para segundo plano a capacidade de influência na globalidade das matérias relativas às estruturas colegiais de professores. Os mecanismos ou características operacionais do Projeto Fénix. flexíveis e dinâmicas e prevê que os alunos retornem à turma original. a contestação à formação dos vulgarmente designados “mega agrupamentos” foi largamente difundida pelos media. já acima mencionadas. sendo necessária a existência de um ethos escolar disseminador do sentido de um trabalho coletivo. “A liderança deve ser aberta e partilhada. quer ao nível individual. com um papel ativo dos diretores escolares.” Processo de tomada de decisão e influência nas políticas da escola A análise dos resultados das respostas aos inquéritos por questionário evidencia que. este processo provocou alguma instabilidade e desconforto ao nível das lideranças de topo das organizações escolares concelhias e no corpo docente das unidades orgânicas envolvidas. No ano lectivo 2010/2011. de momento. o ano letivo iniciou-se “dentro da normalidade”. Como é do conhecimento geral. tornando a constituição instantânea das turmas Fénix e dos grupos Ninhos bastante transitórias. com descentralização de decisões e de tarefas. 133 .Projeto Fénix. sejam estes de gestão de topo como o conselho pedagógico. Aparentemente. assim que superem as suas dificuldades. favorecendo a autonomia e responsabilização de todos os profissionais. Igualmente. é instituída pela administração central e local (as autarquias foram auscultadas relativamente a este assunto) a fusão entre o agrupamento vertical de escolas com jardim de infância e ensino básico e a escola secundária do concelho. é a direção executiva ou a comissão administrativa provisória que tem maior capacidade na tomada de decisões no Agrupamento. têm de se miscigenar com um conjunto de condições organizativas facilitadoras que possibilitem o seu bom desenvolvimento. decorrente da reorganização da rede escolar. Equipas Educativas.82) confirma esse imperativo. estruturas de gestão intermédia como os departamentos curriculares. na opinião dos inquiridos. Conselho de Diretores de Turma. tecer quaisquer considerações sobre o processo. À descoberta dos sentidos e das práticas promocionais de sucesso dos alunos. Moreira (2010. quer ao nível de grupos intermédios.

A implementação do Projeto Fénix O silêncio dos respondentes relativamente à hipótese de a implementação do Projeto Fénix partiu da sugestão de um grupo de professores do agrupamento (Gráfico n. ou decorrer do facto de dez dos professores inquiridos serem contratados. embora na sua essência nas suas competências não seja um órgão propriamente deliberativo [referindo-se ao decreto-lei n. a “figura” do conselho pedagógico define-se como um órgão de decisões em teoria.” (Entrevistado n. assumindo-se. cada vez mais. como constatámos aquando da análise dos dados sociodemográficos. nomeadamente os que têm exercido funções de direção. Cumulativamente.º 1). conselho de diretores de turma.” (Entrevistado n. se por um lado os discursos e as orientações transparecem ideologias duma lógica colegial e democrática.º 2) Assim. francamente. professores contratados. chegamos à escola e deparamo-nos com as turmas e com os projetos. . as representações que têm do conselho pedagógico consubstanciam-se em: “Eu. Considerámos pertinente invocar a hipocrisia organizada para compreender a atual administração das escolas que. os entrevistados referem: “(…) nós sabemos que. como um espaço de justificação das decisões tomadas pela direção executiva. na fala dos nossos entrevistados. não deixo de pensar que é um órgão de decisão. na ação revela-se o gerencialismo e a concentração de poderes no órgão de gestão. por exemplo. pelo menos nós. sem termos a mínima noção de como é que eles são trabalhados e como é que foram escolhidos. parece-nos revelador de pouca clareza quanto aos processos de decisão e negociação.134 Projeto Fénix – As artes do voo e as ciências da navegação conselhos de turma.º 4).º 75/2008]. A este propósito.

para a implementação do Projeto Fénix. Esta circunstância é referida pelos nossos entrevistados: 135 . não se recorreram a práticas de auscultação. Estes parecem ser indicadores expressivos do facto de que. participação.Projeto Fénix. compromisso individual e coletivo. À descoberta dos sentidos e das práticas promocionais de sucesso GRÁFICO 1 – A implementação do Projeto Fénix partiu da sugestão de um grupo de professores do agrupamento 10 8 6 4 Concordo Discordo Não sei / não respondo 2 0 GRÁFICO 2 – A implementação do Projeto Fénix decorreu de um processo de negociação interdisciplinar e interdepartamental 10 8 6 4 Concordo Discordo Não sei / não respondo 2 0 Também nos parece de relevar a posição distanciada dos professores inquiridos relativa ao item a implementação do Projeto Fénix decorreu de um processo de negociação interdisciplinar e interdepartamental (Cf.º 2). Gráfico n. implicação.

partiu muito do órgão de gestão. depois por culpa. p. ou seja. não fizeram um esforço para perceber o que era o projeto. esta conclusão encontra-se subjacente à compreensão de que não é possível concretizar uma participação ativa. 2009. Por um lado. de todos que não fizeram um esforço.º 3). e apercebemo-nos mais tarde.” (Entrevistado n. a nível de departamentos. se calhar. foi parte onde o projeto inicialmente falhou. Concluímos que se registam circunstâncias que predispõem à participação passiva ou não participação docente na gestão na escola. Foi apresentado um pouco ao conselho de turma já no início do ano e. por culpa se calhar da direção na altura. Envolvimento das lideranças e dos professores Evidencia-se que a maioria dos inquiridos considera que as estratégias utilizadas pelas lideranças no respeitante às orientações fornecidas sobre o desenvolvimento do Projeto Fénix não foram adequadas.º 6). De acordo com Lima (in Martins. um deles refere: . depois. GRÁFICO 3 – A atuação da Direção Executiva foi adequada aquando da explicitação do Projeto Fénix 10 8 6 Concordo totalmente concordo 4 Discordo 2 Não sei / não respondo 0 Recorremos aos testemunhos dos nossos entrevistados para melhor perceber as razões das inadequações referidas.136 Projeto Fénix – As artes do voo e as ciências da navegação “Eu acho que aqui na escola. porque na maior parte dos casos tudo está previamente decidido. nomeadamente as da direção executiva (Gráfico n.184).

º 1). (…) Eu acho que os coordenadores de departamento sabem que existe [o Projeto Fénix].Projeto Fénix. é um projeto daquela turma. foi essa recetividade do conselho pedagógico e é uma situação que está registada nas atas de conselho pedagógico. À descoberta dos sentidos e das práticas promocionais de sucesso “(…) apresentei ao conselho pedagógico a possibilidade de nos candidatarmos ao projeto e o conselho pedagógico foi unânime em aceitar essa nossa proposta… Uh… Também quero dizer que foi uma das coisas que nos fez seguir. Isto é um 137 .” (Ata da reunião de conselho pedagógico de 2 de Setembro de 2009). porque as pessoas não encaram os projetos de cada turma como um projeto da escola.º 4). onde se regista: “O Projeto Mais Sucesso Escolar foi aprovado e será aplicado ao segundo e sétimo anos de escolaridade. obviamente.” (Entrevistado n. mas também não… Isto é um problema. partindo do conselho pedagógico e chegar aos departamentos e ser apresentado como uma mais-valia para a escola. torna-se óbvio que as coordenações de liderança intermédia não demonstraram uma explicitação adequada do Projeto Fénix. “(…) a situação do Projeto Fénix não sendo divulgada especialmente aos docentes. Aduzimos representações dos nossos entrevistados que o comprovam: “Em termos de comunidade. verificámos que a única alusão feita ao Projeto Fénix se encontrava no desenvolvimento do primeiro ponto da ordem de trabalhos (Informações). responsáveis pela orientação das respetivas disciplinas. Tipologia Fénix. sendo a coordenadora do mesmo a professora [nome da docente] e as professoras [nome de duas docentes] que lecionam Língua Portuguesa e Matemática. durante o primeiro ano de implementação do projeto. tendo consultado a primeira ata da reunião de conselho pedagógico referente ao ano letivo 2009/2010. o conselho pedagógico informou com regularidade os seus elementos sobre o desenvolvimento do Projeto Mais Sucesso Escolar. não creio que alguém saiba que existe sequer este projeto. Portanto. Por outro. entre dois mil e nove/dois mil e dez. que havia divulgação. Na mesma linha. Eu acho que devia ser uma coisa com a intervenção de todos os órgãos… o problema está na raiz.” (Entrevistado n. não é? Falta aqui um pouco de cada um ir à procura do que é o projeto. por todos os órgãos não se envolverem. porque se eles se envolverem.

2006. 2011. 65). 2010. 2009).138 Projeto Fénix – As artes do voo e as ciências da navegação drama que se sente. da homogeneidade relativa. não se coadunando com a existência de uma unidade de propósito. da diversidade. 2009). 53. p. descurou-se o princípio do envolvimento (Matias Alves4. . No nosso entender.1976. com um modo de funcionamento díptico (Lima. 2007. 2009). o que leva a entender que entre os vários canais de comunicação há um défice de informação. da análise documental em conformidade com as representações comprovadas pelas entrevistas e pelas respostas aos inquéritos. da formação na ação.139-150). porque alguns docentes do conselho de turma nem se preocuparam por sua iniciativa em saber o que é o projeto. sobressai alguma falta de articulação de informação entre os atores e os órgãos. debilmente acoplada (Rocha. da flexibilidade. do limiar da complexidade.” (Entrevistado n. em que se verifica uma desarticulação entre os problemas e a sua forma de resolução. 1995. Rocha. A melhoria dos resultados é corroborada em alguns dos documentos que analisámos: 4  Segundo o autor. revelando uma opinião mais consistente relativamente ao segundo ano do Projeto no Agrupamento. Consequências da implementação do Projeto Fénix No que concerne ao sucesso académico dos alunos e para a maior parte dos respondentes. p. fatores que são característicos de tomadas de decisão caixote do lixo (Martins.º 6). na medida em que determinado assunto é percecionado de muitas formas. p. Em síntese. o Projeto Fénix estrutura-se a partir de um conjunto de princípios organizacionais: da adequação. considerado como um dos pilares na matriz conceptual do Projeto Fénix.23). e do envolvimento. in Martins. É uma organização com uma ambiguidade de funcionamento. in Martins. traduzindo-se internamente por falta de coordenação. p. o Projeto Fénix contribuiu para a melhoria dos resultados escolares dos alunos. Afigura-se uma organização como um sistema debilmente articulado (Costa. da tomada de decisão. pelo que recorrendo à linguagem metafórica parece que estamos perante uma anarquia organizada (March e Olsen.

que notam as melhorias e que apenas têm algumas dificuldades com o espaço físico onde têm de trabalhar com os diversos ninhos”. 139 . dois elementos da 7 6 DRELVT e os intervenientes do Projeto Fénix no Agrupamento. É de salientar as estratégias utilizadas por iniciativa do conselho de turma do terceiro ciclo. uma vez que se nota uma melhoria apreciável em todos os alunos integrados. indo ao encontro dos interesses dos alunos. favoreceram a melhoria do sucesso académico dos alunos: “Salientou-se o facto do conselho de turma e mais especificamente a docente de Inglês ter conseguido usar a sua assessoria.”6 “(…) a Ciências Naturais a professora propõe a divisão da turma em dois turnos. em 8/3/2010. indubitavelmente. À descoberta dos sentidos e das práticas promocionais de sucesso “Foi referido que o projeto tem tido grande sucesso. criando um pequeno ninho que sai da sala onde está a maioria da turma para outra sala com a assessora. Todos os docentes referiram que se sentem muito satisfeitos com o projeto.”7 Também nos testemunhos dos alunos entrevistados. em alguns casos. melhoria que. encontrámos evidências de que a flexibilidade e a mobilidade dos alunos entre as Turmas Fénix e os Ninhos são promotores de melhoria do sucesso dos resultados e do processo de aprendizagem: “(…) Quem está na turma Fénix. Desta forma. se consegue identificar por um menor absentismo dos alunos e pela melhoria do seu comportamento e aproveitamento. nas disciplinas d���������������������������� e Inglês e de Ciências Naturais que. a professora explica de uma maneira diferente aos que têm menos dificuldades e entendem melhor a linguagem da 5  Excerto retirado do relatório da reunião entre a equipa AMA-Fénix. mas também nas outras. a atenção e concentração dos alunos melhora e há mais hipóteses de as aulas serem práticas. como já acontece com as turmas que frequentam a escola secundária.5 Como primeira hipótese explicativa para esta situação temos o “efeito projeto” promovendo uma dinâmica nos alunos e nos professores que transparece não só nas disciplinas intervencionadas.Projeto Fénix. Excerto retirado da ata de reunião de conselho de turma de 10/2/2011. Excerto retirado da ata de reunião de conselho de turma de 1/3/2011. de forma a rentabilizar os noventa minutos de aula semanal de uma das disciplinas em que os alunos revelam muitas dificuldades.

já que temos duas professoras. Concluímos que a totalidade dos respondentes considera que o Projeto Fénix estimula a participação dos alunos nas decisões sobre o seu processo de aprendizagem e contribui para melhorar a sua autoestima. estávamos ali a trabalhar … Gostamos mais de estar a fazer coisas práticas do que estarmos a escrever. Somos menos…” (Aluna B) Este empenho relatado pelos alunos nas atividades que lhes são solicitadas. dedicada. e a do ninho um tem de fazer de forma a perceberem e entenderem o que a professora está a explicar (…) Para nós é mais fácil. E sempre houve trabalhos muito bons. e a DT diz que nós fizemos o trabalho com satisfação. estamos mais concentrados.” (Aluna B).”(Aluna B). mas consegui só ter uma (…) estou a tentar subir a Inglês. tanta distração. “Neste segundo período era para ter seis negativas. 8 .140 Projeto Fénix – As artes do voo e as ciências da navegação professora. “Eu também estou a tentar subir a Inglês. encontrámo-lo no seguinte excerto: “A diretora de turma mencionou que esta turma se tem mostrado (…) dinâmica. Foi inevitável que tentássemos conhecer de que forma o Projeto Fénix tinha influenciado o comportamento.” (Aluna B) “Tanto que começaram-nos a dar mais trabalhos do que praticamente testes. e que alguns alunos são bastante voluntariosos e criativos. Não há tanto barulho. estamos separados. a participação e a autoestima dos alunos. o que é corroborado pelos jovens que entrevistámos: “(…) fizemos o trabalho de A a Z 8. participando ativamente em trabalhos práticos para os quais foram e são Atividade desenvolvida no âmbito de um projeto promovido pela autarquia.” (Aluno X). sempre que o processo de ensino se atreva a contrariar o que em alguns casos ainda está cristalizado nas praxis. A do ninho dois já tem que falar assim mais esclarecido para perceber.” (Aluna A) “Claro que nós dizemos sempre ao professor as nossas dúvidas.

estimulante. a receção passiva. porque nós dizemos coisas… assim… que não cabe na cabeça de ninguém. implicado. tem de ser um tempo de trabalho ativo.Projeto Fénix. • Otimização do tempo em tarefa por parte dos alunos. proporcionar a��������������������������������� tividades congruentes com os perfis emocionais e cognitivos dos alunos pois o sentido pessoal da escolarização passa. In Nota de síntese reflexiva. os alunos entrevistados revelaram-se sensíveis à opinião do autor: “A nossa diretora de turma é um espetáculo. empática. que faz crer que os alunos são capazes de aprender e que a aprendizagem é um bem essencial (…). por aí.” (Aluna A) “A diretora de turma até diz que nos gosta de ouvir. ralha. Sendo que a relação pedagógica é um dos preditores mais poderosos do sucesso escolar (Matias Alves. 67). a qual deverá ter em conta. o tempo de aula. participação. de entre um alargado conjunto de ingredientes.” (Aluna B) Excerto retirado da ata de reunião de conselho de turma do oitavo ano. apoia-nos em tudo. Daí ser necessário conhecer esse tempo espec������������������������������������������������������ ífico. numa palavra. isto é. 2010. À descoberta dos sentidos e das práticas promocionais de sucesso motivados devidamente. mas quando tem de ralhar. de 10/2/2011. os que destacamos: • “Uma gestão flexível dos tempos individuais de aprendizagem: nem todos os alunos aprendem no mesmo tempo. aplicando assim os seus conhecimentos de forma surpreendente. A repetição. motivação. • Desenvolvimento de uma relação pedagógica exigente.”9 Salientamos que este registo elencou algumas das palavras-chave que contribuem para um processo de ensino-aprendizagem resoluto: criatividade. produtivo. Os testemunhos que reproduzimos vão ao encontro da opinião de Matias Alves (201010) que salienta a necessária renovação do modelo didático (gramática que se gera em torno do triângulo pedagógico). 9 10 141 . Encontros Regionais Projeto Matriz Fénix. p. a uniformidade de tarefas gera o tédio e a indisciplina. o grau zero de aprendizagem. destacando-se que muito do êxito dos alunos passa pela relação (pela interação) mantida com o professor (idem). muitas vezes.

142 Projeto Fénix – As artes do voo e as ciências da navegação “Às vezes. na generalidade. uma distribuição dos recursos mais uniforme. Luísa Moreira (2010.” (Aluna B) “E mesmo se houver conflitos entre nós. constatando-se uma melhoria da gestão comportamental na sala de aula: “Desde que estamos distribuídos pelos ninhos e pela turma.102) conclui que a correlação entre o impacto do Projeto Fénix e a melhoria do Sucesso Relacional está associada à redução do número de alunos por turma e a relativa homogeneização ao nível das suas dificuldades. estimam. por exemplo. Conclusões e considerações finais Os resultados deste estudo permitiram concluir que vários atores envolvidos no Projeto Fénix. A génese do Projeto Fénix visa. 2011. que fica logo aborrecida. 27-31). acreditam que a criação de turmas Fénix e de Ninhos contribuem para uma melhoria do . p. 109). 2001. 2011. mas sim o despertar da crença e do reconhecimento da educabilidade do ser humano (Matias Alves. normalmente nunca levamos isso para a sala de aula. de entre outros objetivos. a estratégia a adotar não será o “baixar” a exigência. compreendendo no entanto que uma exigência responsável não pode ser desproporcionada e servir para excluir (Matias Alves. 2010. claro que [o comportamento] é diferente. Os alunos que entrevistámos confirmam que o Projeto Fénix contribui para a diminuição de problemas e tensões. tanto os inquiridos como os entrevistados. na disciplina dela [professora de Físico Química] alguém tirar uma negativa. no sentido de elevar a qualidade do sucesso (Moreira. como positivo o impacto do mesmo nas condições organizacionais e educacionais do Agrupamento. pp. p. 71).” (Aluna A) No seu estudo. Carneiro. ou então. p. 68. p.” (Aluna A) A literatura tem vindo a demonstrar que perante as diversidades dos alunos. basta alguém tirar cinquenta por cento que ela fica totalmente aborrecida… Ela sabe que a gente consegue melhor. basta. conducente a uma ação educativa exigente e com rigor.

pp. como tivemos oportunidade de inferir no nosso estudo. 2008. cit. 291-298). em Lima. p. como por si só influenciam os próprios resultados académicos. não se deve[ria]. encarar os processos educativos de uma forma meramente instrumental: haverá grande mérito se se obtiverem bons resultados nos exames de Matemática e de Português. não só porque estas são importantes em si mesmas. justifica-se que para muitos atores educativos as escolas sejam locais destinados exclusivamente ao desenvolvimento académico. À descoberta dos sentidos e das práticas promocionais de sucesso processo de ensino-aprendizagem. 358) ao enunciar que as escolas não se deveriam devotar apenas à promoção de aquisições cognitivas. onde o papel do professor é. uma vez que se tem verificado a utilização quase exclusiva dos resultados dos alunos em testes e exames. paradoxalmente. Pensamos que esta representação é compreensível. ao nível das atitudes e dos comportamentos dos alunos. desvalorizado ou onde estes são híper-responsabilizados. os mesmos resultados permitem-nos concluir que ainda se registam conceções de que diferenciar é nivelar por baixo ou que é sinónimo de facilitismo. 2008. Considerando que é imprescindível que tenhamos em conta os resultados da educação. Partindo deste pressuposto socialmente aceite. há que salientar determinados pontos críticos sinalizados. esperamos que os objetivos e a matriz solidamente formativa de Projetos inseridos em Programas Nacionais para Mais Sucesso não se diluam no frenesim de rankings. normalmente implica que os professores sintam a desmesurada pressão de preparar os alunos para testes estandardizados e exames. o que. como a promoção 143 . em detrimento do efetivo cumprimento da sua função de educador atento aos diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos. concordamos com Creemers (1997. Todavia. contudo.Projeto Fénix. porquanto os alunos se sentem mais confortáveis para exporem dúvidas ou colocarem questões. Neste sentido. como fonte de informação para medir a eficácia das instituições educativas (Lima. A grande maioria dos inquiridos e entrevistados é de opinião que o Projeto Fénix se constitui como um processo potencialmente adequado para articular a promoção da qualidade das aprendizagens para todos com a necessária diferenciação de abordagens. mas também ao desenvolvimento de competências sociais e estéticas e de atitudes. se os processos a eles conducentes se circunscreverem a procedimentos questionáveis do ponto de vista educativo. Contudo. Assim.

os resultados da investigação também nos permitem inferir que o funcionamento em Ninhos. com a preocupação de cumprir os programas de forma a preparar os alunos para os exames. De acordo com o testemunho de alguns entrevistados. consubstanciada num ambiente de conhecimento e de metaconhecimento profissional dos docentes. 413). pp. os mesmos resultados possibilitam-nos inferir que todos os intervenientes consideram que o acompanhamento supervisivo por parte dos coordenadores de departamento foi praticamente nulo. potenciando a diferenciação pedagógica que. sendo que. deve ser olhada como estratégia de otimização das aprendizagens. mas os processos também necessitam de ser adequados. existe uma forte correlação entre a presença de práticas educativas fiéis a uma pedagogia ótima (Formosinho. os resultados obtidos possibilitam-nos inferir que. 13-29). 269-271). os resultados da investigação permitiram-nos concluir que Projeto Fénix (talvez tenha) contribuiu[do] para que alguns dos docentes envolvidos adotassem práticas de supervisão. 2000) – o valor burocrático por excelência é a uniformidade e há sempre the one best way para fazer as coisas –. Por outro lado. nas palavras de Azevedo (2010. possibilita a utilização bem-sucedida de estratégias diversificadas. ao facilitar a proximidade entre alunos e professores. o que vem confirmar o distanciamento e a falta de articulação entre as tomadas de decisão e as lideranças do Agrupamento. pp. para Lima (2008. nem todos os meios justificam os fins. relevando-se omissas ou expressas pela negativa nos testemunhos dos entrevistados e na análise documental. do ponto de vista educativo. O alheamento verificado face à implementação do Projeto Fénix por parte das estruturas intermédias. Por outro lado. sendo que só encontrámos estas referências nas opiniões dos inquiridos. de uma forma sustentada. se conhecesse e refletisse sobre as práticas nos níveis infraorganizacionais. Relativamente à supervisão pedagógica. a qualidade do ensino e da aprendizagem na sala de aula é o fator que tem . 2008. p. Os resultados devem ser manifestáveis. se bem que a totalidade dos professores admita que o Projeto Fénix promove mudanças nas práticas educativas. nem todos concordam que se tenha rompido com a rotina e com os hábitos de trabalho instalados. do individualismo e do próprio cinismo dos alunos em relação ao valor e ao sentido do trabalho escolar? (Lima. impossibilitou que. Quanto à mudança na praxis educativa.144 Projeto Fénix – As artes do voo e as ciências da navegação da competitividade (galardão da meritocracia).

e na perspetiva da 4. 2008. leva-nos a perspetivar trabalhos futuros no campo da supervisão horizontal em sala de aula numa atitude formativa de aperfeiçoamento mútuo. 2008. 145 . p. a organização e a relação pedagógica. À descoberta dos sentidos e das práticas promocionais de sucesso um impacto maior e mais direto sobre o progresso escolar dos alunos.Projeto Fénix. que o sucesso escolar de uma organização depende de vários fatores. como têm mostrado dados empíricos inseridos em diferentes paradigmas (eficácia da escola.ª geração de investigação sobre escolas eficazes (Lima. p. parece-nos ser uma das principais conclusões do nosso estudo. os “caminhos” para a melhoria das escolas devem ponderar o “efeito do professor”. 2009. o “efeito de escola” (a escola faz a diferença) é o primeiro que evidenciamos que. tendo demonstrado que a oportunidade de melhoria depende do contexto. Aduzimos que a fragilidade do conhecimento e da divulgação do Projeto Fénix no contexto estudado. Em guisa de conclusão. reforçado pelo pressuposto de Gray et al (1999. e as práticas profissionais docentes. tanto na tomada de decisões. Por inconformidade profissional e a vontade de contribuir para práticas promocionais de sucesso mais ajustadas à diversidade do contexto em estudo. através de um trabalho consistente e colaborativo. no pressuposto de que os professores aprendem a sua profissão em contexto profissional e de que a observação de aulas constitui uma estratégia privilegiada de reconstrução do pensamento e ação do professor (Alarcão e Roldão. como no próprio ensino. 370). o “efeito sala de aula”. 29). 2008. melhoria da escola). o Projeto Fénix afigura-se-nos como um exemplo eficaz de (re)pensar: os modos e os modelos de escolarização. Destaca-se o papel das lideranças nas organizações escolares. 2008. p. o enfoque do princípio da visão e finalidades partilhadas (Lima. ao modo de funcionamento díptico e ao sistema debilmente articulado da organização escolar. bem como o mais recente “efeito de departamento”. Destes. o qual sinaliza que as escolas são mais eficazes quando os docentes chegam a um consenso sobre as finalidades e valores essenciais da organização e os coloca em prática. as relações escola-comunidade. estará implícita à balcanização das decisões. Estamos convictos. Em sintonia com o que vários autores referem (Lima.342) de que as reformas educativas não deveriam continuar a partir do princípio de que todas as escolas eram iguais. pp. 44-46). 319). p. in Lima.

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